Quando se fala em cooperativismo, é comum pensar em setores como crédito, agropecuária e saúde. Mas o modelo vem ampliando sua presença em outras áreas da economia, e o consumo é uma delas.
Os números mais recentes mostram que esse movimento não é apenas uma tendência pontual. Em 2025, o Brasil chegou a 29 milhões de cooperados, segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2026. O setor reúne cerca de 4,4 mil cooperativas, gera 613,4 mil empregos diretos e movimenta R$ 848,4 bilhões em ingressos, ou seja, receitas e operações econômicas.
Dentro desse cenário, o ramo Consumo também vem crescendo e já reúne 2,84 milhões de cooperados.
Mas o que explica a expansão do cooperativismo para o consumo? E o que esse movimento representa para a economia e para as próprias relações de consumo?
Cooperativismo também chega ao consumo
O cooperativismo parte da organização coletiva de pessoas com objetivos em comum e está presente em diferentes áreas, como crédito, agricultura, saúde, transporte, infraestrutura e trabalho. O consumo é mais um espaço em que esse modelo encontra possibilidades de atuação.
Nas cooperativas de consumo, os participantes se associam para adquirir produtos e serviços e podem participar da gestão, das decisões e dos resultados da organização, conforme suas regras. Assim, deixam de ocupar apenas o papel de consumidores e passam a fazer parte da própria atividade econômica.
Na prática, o modelo pode estar presente em atividades cotidianas. A Coop, em São Paulo, atua com supermercados e drogarias. Já a Rede Cooper, em Santa Catarina, nasceu em 1944 como uma cooperativa de consumo de empregados da Cia. Hering e hoje também reúne supermercados, farmácias e outros serviços.
Quando há sobras, sua destinação segue a legislação, o estatuto e as decisões dos cooperados. Essa combinação entre consumo, atividade econômica e participação coletiva ajuda a explicar como o cooperativismo vem ampliando sua presença nesse setor.
O que está por trás desse crescimento?
O avanço do cooperativismo brasileiro ajuda a dimensionar esse movimento. Entre 2019 e 2025, o número de cooperados no Brasil quase dobrou, passando de cerca de 15,5 milhões para 29 milhões.
Esse aumento demonstra que o modelo cooperativista vem alcançando um número cada vez maior de pessoas e ampliando sua presença em diferentes setores.
No ramo Consumo, o crescimento também foi significativo. Em 2025, o número de cooperados chegou a 2,84 milhões, um aumento de 10,8% em relação ao ano anterior.
No mesmo período, as cooperativas de consumo movimentaram R$ 7,9 bilhões em ingressos, reuniram 191 organizações e geraram mais de 15,7 mil empregos diretos.
Os dados indicam que o consumo já representa uma parcela relevante do movimento cooperativista brasileiro e que o ramo continua em expansão.
Qual é o impacto do cooperativismo na economia brasileira?
O crescimento das cooperativas de consumo faz parte de um movimento econômico mais amplo.
Em 2025, as cooperativas brasileiras alcançaram R$ 1,6 trilhão em ativos e registraram R$ 61,3 bilhões em sobras (equivalente ao lucro das empresas comuns), além dos R$ 848,4 bilhões em ingressos.
A dimensão desses números mostra que o cooperativismo já ocupa um espaço relevante na economia brasileira. O modelo movimenta negócios, gera empregos e contribui para o desenvolvimento das comunidades em que as cooperativas estão inseridas.
No consumo, esse impacto acontece em uma atividade presente no cotidiano da população. Ao reunir consumidores em torno de objetivos comuns, as cooperativas podem fortalecer a capacidade de negociação dos participantes e manter os resultados da atividade dentro da própria organização, de acordo com suas regras.
Mais do que movimentar recursos, portanto, o cooperativismo cria uma dinâmica econômica baseada na cooperação e na participação dos seus integrantes.

O futuro do cooperativismo passa pelo consumo?
Os números mais recentes mostram que o cooperativismo brasileiro está em expansão e que o consumo acompanha esse movimento.
Com 2,84 milhões de cooperados, as cooperativas de consumo já representam uma presença significativa dentro do modelo cooperativista e demonstram potencial de crescimento.
À medida que novas gerações de consumidores buscam relações mais participativas e vantajosas, e organizações capazes de combinar atividade econômica e impacto coletivo, o cooperativismo pode encontrar novas oportunidades de atuação.
Para as cooperativas, isso significa olhar para além do crescimento do número de associados. Significa investir em gestão, inovação, formação e capacidade de adaptação para sustentar esse avanço.
Entender esse movimento, portanto, é importante para quem já atua no cooperativismo e também para profissionais que desejam acompanhar as transformações na economia, nos negócios e nas relações de consumo.
Quer se preparar para as transformações do cooperativismo?
O crescimento do cooperativismo amplia a demanda por profissionais preparados para atuar em organizações que precisam conciliar gestão, inovação, desenvolvimento econômico e participação coletiva.
A formação profissional é um dos caminhos para acompanhar esse cenário e desenvolver conhecimentos aplicáveis à realidade das cooperativas e do Sistema Unimed.
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