As cooperativas de saúde precisam de profissionais preparados para atender às demandas atuais e acompanhar as mudanças do negócio. Mas nem toda competência necessária precisa ser desenvolvida internamente, assim como nem toda demanda justifica a contratação de um novo profissional.
Para o setor de Recursos Humanos (RH), o desafio é identificar quais conhecimentos são necessários, avaliar a capacidade da equipe atual e decidir como suprir as lacunas identificadas. Essa análise ajuda a direcionar investimentos em desenvolvimento profissional e a definir quando buscar especialistas externos pode ser a melhor alternativa.
A seguir, veja como tomar essa decisão considerando as necessidades e os objetivos da cooperativa.
Como identificar as competências que a cooperativa precisa?
O primeiro passo é entender quais competências são necessárias para executar a estratégia do negócio e quais já estão disponíveis na organização. Sem esse diagnóstico, a cooperativa corre o risco de investir em capacitações que não atendem às suas prioridades ou contratar profissionais sem clareza sobre as necessidades que deverão suprir.
Para isso, o RH deve considerar três aspectos:
- Objetivos do negócio: quais projetos, mudanças ou necessidades operacionais exigem novas competências?
- Capacidade interna: quais conhecimentos a equipe já possui? Existem profissionais com potencial para assumir novas responsabilidades?
- Lacunas de competências: quais habilidades precisam ser desenvolvidas ou incorporadas à organização para alcançar os resultados esperados?
A estruturação da gestão de pessoas é um processo essencial dentro das organizações, pois contribui para essa análise ao organizar funções, responsabilidades e processos, além de estabelecer ferramentas para acompanhar o desempenho e orientar o desenvolvimento profissional.
Com essas informações, o RH consegue definir prioridades e avaliar alternativas com base nas necessidades reais da cooperativa.
Foi isso o que a Unimed Ponta Grossa realizou com o apoio da Faculdade Unimed, buscando transformar a atuação do RH, até então predominantemente operacional, em uma área mais estratégica. Conheça essa experiência e seus resultados no artigo completo.
Quando vale a pena desenvolver competências internamente?
O desenvolvimento interno tende a ser uma alternativa relevante quando a competência é necessária de forma contínua, está relacionada às atividades essenciais da cooperativa ou precisa ser incorporada aos processos e à cultura organizacional.
Nesses casos, capacitar profissionais que já fazem parte da equipe pode ampliar a capacidade interna e preservar conhecimentos importantes para a continuidade das operações.
A decisão pode fazer sentido quando:
- A equipe atual possui conhecimentos e experiência que podem ser aprimorados.
- A competência será utilizada de forma recorrente.
- Existe tempo para preparar os profissionais antes de uma nova demanda.
- A cooperativa precisa formar lideranças ou preparar colaboradores para novas responsabilidades.
Ações de capacitação, programas de desenvolvimento de lideranças e modelos de avaliação de desempenho ajudam a identificar potencialidades e orientar os próximos passos.
Isso não significa que desenvolver internamente será sempre mais econômico ou rápido. É necessário considerar o investimento em capacitação, o tempo necessário para alcançar o nível de especialização desejado e a capacidade da equipe conciliar o aprendizado com suas atividades.
Quando buscar especialistas externos?
Contratar profissionais externos pode ser adequado quando a cooperativa precisa de conhecimentos técnicos que não estão disponíveis internamente, não dispõe de tempo para desenvolvê-los ou necessita ampliar sua capacidade de execução em determinada iniciativa.
Essa alternativa ganha relevância em áreas que exigem especialização, experiência prática ou atualização constante, como:
- Tecnologia da Informação (TI): para atender a demandas técnicas específicas ou apoiar projetos de tecnologia.
- Analytics e Ciência de Dados: para desenvolver análises, trabalhar com dados e apoiar iniciativas que dependam desses conhecimentos.
- Gestão de Projetos: para complementar a capacidade da equipe na condução de iniciativas com objetivos, entregas e prazos definidos.
Nessas situações, o outsourcing – ou terceirização – pode apoiar a busca, a seleção, a contratação e a alocação de especialistas ou equipes para atender às necessidades da organização.
A modalidade também pode ser considerada quando a cooperativa precisa de profissionais dedicados a projetos específicos, sem que isso implique necessariamente ampliar de forma permanente o quadro interno para atender àquela demanda.
No contexto da Faculdade Unimed, o serviço de Outsourcing contempla o recrutamento e a seleção de talentos, a contratação e a alocação de profissionais. Também inclui ambientação ao Sistema Unimed e acompanhamento dos profissionais alocados, com possibilidades de atuação individual ou por equipes multidisciplinares.
Como decidir entre desenvolver talentos e contratar especialistas?
Não existe uma resposta única. A escolha deve considerar a natureza da demanda, as competências disponíveis e os objetivos da cooperativa.
Antes de tomar uma decisão, o RH pode avaliar os seguintes critérios:

A partir dessas respostas, é possível identificar o caminho mais adequado para cada situação.
Uma competência essencial e utilizada continuamente pode justificar o desenvolvimento de profissionais internos. Já uma demanda que exige conhecimento técnico específico em prazo curto pode favorecer a busca por um especialista externo.
Em projetos complexos, as duas estratégias podem ser combinadas: a equipe interna mantém o conhecimento sobre a operação e os profissionais externos complementam as competências necessárias para executar a iniciativa.
O planejamento da força de trabalho deve acompanhar essas necessidades ao longo do tempo. Uma revisão publicada pela Organização Mundial da Saúde em 2025 reúne ferramentas e abordagens para apoiar esse planejamento, reforçando a importância de avaliar as necessidades de pessoal e a capacidade disponível para atendê-las.
Conclusão: alinhar competências às necessidades da cooperativa
Por fim, como já mencionado, decidir entre desenvolver competências internamente e contratar especialistas externos exige avaliar as necessidades da cooperativa, a capacidade da equipe atual e os resultados esperados.
Não existe uma estratégia única para todas as situações: enquanto algumas competências precisam ser desenvolvidas e mantidas internamente, outras podem ser obtidas por meio de profissionais especializados.
O importante é que essa decisão seja orientada pelas prioridades do negócio, considerando fatores como a recorrência da demanda, o prazo, a complexidade técnica e a disponibilidade de conhecimentos na equipe. Dessa forma, o RH contribui para direcionar melhor os investimentos em pessoas e garantir que a cooperativa tenha as competências necessárias para alcançar seus objetivos.

Perguntas frequentes sobre gestão de pessoas e contratação de especialistas
Outsourcing substitui o RH interno?
Não necessariamente. O outsourcing pode complementar a atuação do RH ao apoiar a busca, a seleção, a contratação e a alocação de profissionais especializados. A gestão interna continua importante para alinhar as necessidades de pessoal à estratégia e à realidade da cooperativa.
É melhor capacitar a equipe atual ou contratar um especialista?
Depende da competência necessária, do conhecimento já disponível na equipe, do prazo e da recorrência da demanda. O desenvolvimento interno pode ser adequado para competências utilizadas continuamente, enquanto a contratação de um especialista pode atender melhor a necessidades técnicas específicas ou urgentes.
Quais áreas podem se beneficiar da contratação de especialistas externos?
Áreas como Tecnologia da Informação, Analytics, Ciência de Dados e Gestão de Projetos podem demandar conhecimentos técnicos específicos. A busca por profissionais externos pode complementar a equipe interna e ampliar a capacidade de execução, conforme os objetivos e o escopo da iniciativa.
Como o RH pode identificar lacunas de competências?
Por meio do diagnóstico organizacional, do mapeamento de funções e responsabilidades, da análise de desempenho e da identificação das habilidades necessárias para cumprir os objetivos do negócio. Esse levantamento ajuda a priorizar ações de desenvolvimento e necessidades de contratação.