De acordo com estudos recentes sobre maturidade digital no país, muitas organizações já incorporaram tecnologias como inteligência artificial, automação e análise de dados. No entanto, a maior barreira que antes era o acesso à tecnologia, agora é a capacidade de utilizá-la de forma estratégica, integrada e orientada a resultados.
E essa realidade revela um ponto crítico: a inovação não acontece pela simples adoção de ferramentas, mas pela evolução do pensamento profissional e da cultura organizacional.
Inteligência artificial: uso crescente, maturidade ainda em construção
A popularização da inteligência artificial generativa acelerou esse processo. Hoje, seu uso já está presente na rotina de estudantes e profissionais de diversas áreas, inclusive na saúde.
Levantamentos mostram que a maioria dos estudantes brasileiros já utiliza ferramentas de IA em atividades acadêmicas. Porém, o uso ainda é predominantemente operacional em apoio em pesquisas, organização de informações e ganho de produtividade.
O desafio no seu uso não diz respeito a técnica, mas a estratégia, uma vez que os profissionais sabem usar as ferramentas, mas muitas vezes não sabem:
- Avaliar a qualidade e confiabilidade das informações geradas;
- Aplicar a tecnologia em contextos reais de tomada de decisão;
- Compreender impactos éticos, regulatórios e operacionais;
- Integrar diferentes soluções dentro de um fluxo de trabalho eficiente.
Sem essa camada de entendimento, o uso da IA tende a ser superficial e, em alguns casos, até arriscado.
Saúde digital: eficiência, escala e responsabilidade
Na área da saúde, essa discussão ganha ainda mais relevância. A incorporação de tecnologias digitais não é apenas uma questão de eficiência, mas de impacto direto na vida das pessoas.
A inteligência artificial já vem sendo aplicada em diferentes frentes, como:
- Apoio a diagnósticos clínicos;
- Análise preditiva de dados epidemiológicos;
- Gestão de fluxos hospitalares;
- Ampliação do acesso por meio da telemedicina.
Essas aplicações têm potencial para aumentar a capacidade do sistema de saúde, reduzir custos operacionais e melhorar a qualidade do atendimento. No entanto, também exigem um nível elevado de preparo profissional.
Isso porque o uso dessas tecnologias envolve decisões críticas, que demandam interpretação qualificada de dados, visão sistêmica do cuidado em saúde, responsabilidade ética e capacidade de integração entre áreas clínicas e gestão.
Ou seja, a transformação digital na saúde é, essencialmente, estratégica e multidisciplinar.
Inovação aplicada: da teoria à prática
Um caso recente ajuda a ilustrar o potencial dessa transformação. O uso de inteligência artificial para recriar voz, imagem e comunicação de pacientes com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) já permite que essas pessoas continuem se expressando e participando de atividades profissionais, mesmo com limitações físicas.
Um exemplo é o projeto Extens.IA, desenvolvido pela Faculdade Unimed em parceria com a WorkAI, a partir do caso da Dra. Maria Inês Quintana, professora da Universidade Federal de São Paulo, que perdeu os movimentos em decorrência da doença e agora retoma sua atuação profissional por meio de um avatar criado com IA.
Mais do que um avanço tecnológico, esse tipo de aplicação demonstra como a inovação ganha valor quando está conectada a um problema real e relevante. Ao mesmo tempo, reforça um princípio central: a tecnologia deve atuar como uma extensão da capacidade humana, e não como substituição.
Na prática, isso significa preparar profissionais para:
- Compreender o funcionamento e as limitações das tecnologias;
- Aplicar soluções digitais em contextos reais da saúde;
- Transformar dados em decisões estratégicas;
- Inovar com responsabilidade e foco em impacto.
O novo perfil profissional na saúde e na gestão
O mercado já sinaliza claramente a necessidade de um novo perfil de profissional.
É necessário dominar as teorias e as técnicas, mas também possuir pensamento analítico orientado por dados, visão estratégica aplicada à tecnologia e compreensão da inovação como um processo contínuo.
Esse profissional deve atuar como ponte entre tecnologia e prática, alguém capaz de transformar recursos digitais em soluções reais.
Um passo além na sua formação
A transformação digital na saúde e na educação já está em curso e tende a se intensificar nos próximos anos. Estar preparado pode ser o seu diferencial diante do mercado.
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