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Sucessão em cooperativas médicas: como garantir continuidade e transformar cooperados em futuros líderes

Quem assumiria a condução da sua cooperativa se uma das principais lideranças precisasse deixar o cargo amanhã?

A pergunta pode parecer hipotética, mas, em organizações complexas como as cooperativas médicas, a sucessão precisa estar no planejamento institucional e na estratégia de longo prazo. Mais do que substituir dirigentes, trata-se de preparar a cooperativa para renovar suas lideranças, preservar conhecimentos e garantir continuidade.

Esse desafio ganha ainda mais relevância diante das transformações do cooperativismo, que exigem novas competências e perspectivas de liderança. Que tipo de liderança as cooperativas precisarão nos próximos anos?

A Faculdade Unimed aborda esse cenário no artigo O futuro do cooperativismo, que apresenta cinco tendências para a gestão das cooperativas até 2030, incluindo a renovação das lideranças.

Sucessão de dirigentes: uma pauta de continuidade e sustentabilidade

A sucessão não se resume à substituição de pessoas ou ao preenchimento de posições de liderança. É um processo que envolve identificar necessidades, reconhecer potenciais, desenvolver competências e criar mecanismos para a transferência de conhecimento entre diferentes gerações de cooperados.

Quando esse processo só é discutido diante da saída de um dirigente, a cooperativa pode ter pouco tempo para identificar e preparar pessoas para assumir responsabilidades estratégicas. A consequência pode ser uma sucessão conduzida de maneira circunstancial, sem o planejamento necessário.

Planejar a sucessão com antecedência, contribui para preservar o conhecimento institucional, reduzir riscos de descontinuidade e preparar a organização para os desafios futuros.

Isso significa olhar para a sucessão não como uma ação pontual, mas como parte de uma estratégia de sustentabilidade e perenidade da cooperativa.

Quais os riscos de uma sucessão não planejada?

O desafio de preparar sucessores, no entanto, não é exclusivo das cooperativas. Um estudo realizado pela Stanford Graduate School of Business, com mais de 140 CEOs e membros de conselhos de empresas públicas e privadas da América do Norte, mostrou que mais da metade das organizações pesquisadas não conseguia indicar imediatamente quem assumiria o cargo de CEO caso o atual ocupante ficasse incapacitado.

O levantamento também revelou uma diferença significativa entre reconhecer a necessidade e estar efetivamente preparado para ela: 69% dos participantes consideravam que um sucessor deveria estar pronto para assumir imediatamente, mas apenas 54% afirmavam estar preparando alguém para essa posição.

Embora o contexto empresarial analisado pelo estudo seja diferente da realidade de uma cooperativa médica, o dado evidencia um desafio que atravessa diferentes modelos de organização: reconhecer a importância da sucessão não significa, necessariamente, estar preparado para ela.

Nas cooperativas médicas, essa lacuna pode assumir contornos ainda mais específicos, considerando a complexidade da gestão, as particularidades do modelo cooperativista e o fato de que os dirigentes são, em sua essência, médicos cooperados.

Homens corporativos se cumprimentam em representação de sucessão em cooperativas médicas

Como definir o perfil das futuras lideranças da cooperativa

Não existe um modelo único de sucessão que possa ser aplicado indistintamente a todas as cooperativas.

O perfil de liderança necessário pode variar de acordo com o porte da organização, a região de atuação, o número e o perfil dos cooperados, a estrutura organizacional, a quantidade de vidas e a complexidade da operação, especialmente quando a cooperativa também atua como operadora de planos de saúde.

Por isso, antes de pensar em nomes, é necessário compreender a realidade da própria cooperativa.

Esse diagnóstico pode ajudar a identificar:

  • quais cargos e funções são críticos para a organização;
  • onde existe concentração de conhecimento;
  • quais pessoas ou posições representam maior dependência institucional;
  • quais competências já estão presentes no quadro de cooperados;
  • quais competências serão necessárias diante dos desafios futuros;
  • e qual é o nível de maturidade da cooperativa em relação à sucessão.

A partir dessas informações, a organização pode definir o perfil de liderança necessário para cada posição e estabelecer critérios para identificação e desenvolvimento de potenciais sucessores.

Essa etapa também contribui para tornar o processo mais transparente e menos dependente de decisões improvisadas ou personalistas.

Como preparar os futuros dirigentes?

Identificar potenciais lideranças é apenas uma parte do processo. O próximo passo é criar oportunidades concretas para que essas pessoas se desenvolvam.

A formação pode envolver conhecimentos relacionados a:

  • cooperativismo e normas internas;
  • governança;
  • gestão e estratégia;
  • finanças;
  • saúde suplementar;
  • compliance e gestão de riscos;
  • inovação e ESG;
  • liderança e gestão de equipes;
  • comunicação;
  • tomada de decisão e gestão de conflitos.

Porém, só o conhecimento teórico não é suficiente.

Para que um futuro dirigente compreenda a complexidade da organização, é importante que ele também tenha contato com a realidade da cooperativa e com os desafios enfrentados por suas lideranças.

A preparação pode combinar formação teórica e experiências práticas, como mentorias com dirigentes experientes, participação em comitês e projetos estratégicos e acompanhamento da atuação de lideranças em espaços de trocas estruturados.

Ou seja, preparar uma liderança envolve conhecimento, mas também vivência. E é importante diferenciar desenvolvimento de sucessão de uma escolha antecipada. O processo sucessório não determina quem será o próximo dirigente. A eleição continua sendo uma atribuição do corpo de cooperados.

O papel da sucessão é preparar pessoas que possam estar mais capacitadas para participar desse processo quando chegar o momento.

Renovar sem perder a experiência

Um dos maiores desafios da sucessão é encontrar o equilíbrio entre renovação e preservação do conhecimento acumulado.

Dirigentes que estão há anos à frente da cooperativa carregam experiências que nem sempre estão registradas em documentos ou procedimentos. São aprendizados construídos a partir de decisões, desafios, mudanças no mercado e momentos importantes da história da organização.

Por isso, como esclarece a Dra. Sabrina Colares, Assessora Jurídico-educacional da Faculdade Unimed, renovar a liderança não precisa significar romper com aquilo que foi construído.

A sucessão pode criar espaços para que diferentes gerações de cooperados convivam, compartilhem experiências e construam juntas a continuidade da cooperativa.

A preparação envolve transformar a experiência dos dirigentes atuais em conhecimento para as próximas gerações. Ao mesmo tempo, a chegada de novas lideranças pode contribuir com novas perspectivas, competências e formas de enxergar os desafios da organização.

Assim, a sucessão deixa de ser uma escolha entre experiência e renovação e passa a ser uma oportunidade de conectar as duas.

Sucessão é um ciclo contínuo de governança

Para que produza resultados consistentes, o planejamento sucessório precisa ser acompanhado ao longo do tempo.

No Programa de Sucessão Cooperativista, desenvolvido pela Faculdade Unimed, esse processo é estruturado em quatro grandes etapas:

1. Diagnóstico

Conhecer a cooperativa, sua estrutura, seus cargos críticos, os riscos sucessórios e as competências existentes no quadro de cooperados.

2. Planejamento

Definir os perfis de liderança necessários, competências esperadas, critérios de elegibilidade e desenvolvimento e responsabilidades pela condução do processo.

3. Formação

Construir planos coletivos e individuais de sucessão, combinando capacitação com experiências práticas, mentorias e vivências dentro da própria cooperativa.

4. Monitoramento

Acompanhar o desenvolvimento das potenciais lideranças, avaliar competências, revisar o mapa sucessório e atualizar o planejamento de acordo com as transformações da cooperativa.

Esse acompanhamento é fundamental porque a organização também muda. Seus desafios estratégicos, sua estrutura e as competências necessárias para liderá-la podem se transformar ao longo do tempo.

Por isso, um planejamento sucessório não deve ser tratado como um projeto com começo e fim, mas como um ciclo contínuo de desenvolvimento e governança.

Preparar hoje as lideranças que conduzirão a cooperativa amanhã

Uma cooperativa preparada para o futuro não espera surgir uma necessidade de substituição para começar a pensar em quem poderá assumir uma posição de liderança.

Ela conhece seus riscos, identifica potenciais, desenvolve competências, promove a transferência de conhecimento e acompanha continuamente a formação de novas lideranças.

Como a sua cooperativa se posiciona? Ela está se preparando?

A Faculdade Unimed pode atuar como parceira estratégica das cooperativas, apoiando a construção de um planejamento sucessório alinhado à realidade e aos objetivos de cada organização. Conheça o Programa de Sucessão Cooperativista!

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