O cooperativismo cresce no Brasil porque devolve resultado a quem participa, chega a lugares onde outras empresas não chegam e dá escala a pequenos produtores e profissionais. Em 2025, o país alcançou 29 milhões de cooperados, quase um em cada sete brasileiros, segundo o AnuárioCoop 2026, do Sistema OCB.
- Mais gente: o número de cooperados cresceu 12,5% em um ano e 87% desde 2019.
- Mais economia: as cooperativas movimentaram R$ 848,4 bilhões em 2025, alta de 11,9%.
- Mais empregos: foram 613,4 mil postos de trabalho, com crescimento mais de duas vezes superior ao do emprego formal no país.
- Mais retorno ao cooperado: R$ 61,3 bilhões em sobras distribuídas, alta de 14,2%.
- Mais desafios de gestão: o número de cooperados cresce muito mais rápido que o de cooperativas, que avançou só 0,4%. As organizações estão ficando maiores e mais complexas.
Quanto o cooperativismo cresceu no Brasil?
O cooperativismo cresceu bem acima da economia brasileira em 2025. Enquanto o PIB avançou 2,3%, segundo o IBGE, a movimentação das cooperativas subiu cerca de 12%, o maior ritmo desde 2022.
| Indicador | 2025 | Variação em um ano |
| Cooperados | 29 milhões | +12,5% |
| Ativos | R$ 1,6 trilhão | +14,9% |
| Sobras distribuídas | R$ 61,3 bilhões | +14,2% |
| Movimentação econômica | R$ 848,4 bilhões | +11,9% |
| Empregados diretos | 613,4 mil | +6,1% |
| Cooperativas | 4.400 | +0,4% |
As cooperativas estão em 3.425 municípios e atuam em sete ramos. Três deles concentram mais de 96% da movimentação: Agropecuário, Crédito e Saúde. No mundo, o movimento reúne cerca de 3 milhões de cooperativas e 1 bilhão de cooperados.
5 razões por trás do crescimento do cooperativismo
1. O resultado volta para quem participa
Na cooperativa, o cooperado é ao mesmo tempo dono e usuário. O resultado positivo do ano, chamado de sobras, é dividido conforme o uso que cada um fez dos serviços. Em 2025, essas sobras somaram R$ 61,3 bilhões. Além disso, cada cooperado tem um voto, independentemente do capital que investiu.
2. Chega onde outras instituições não chegam
Em 1.072 municípios brasileiros, a cooperativa é a única instituição financeira presente. Não por acaso, o ramo Crédito é o que mais atrai pessoas: reúne quase 23 milhões de cooperados, cerca de 8 em cada 10 do total. Na infraestrutura, cooperativas levam energia elétrica a 3,5 milhões de brasileiros em 800 municípios.
O efeito aparece na economia local. Estudos reunidos no AnuárioCoop 2026 apontam que municípios com presença cooperativista têm, em média, R$ 5,1 mil a mais de PIB por habitante.
3. Dá escala a quem é pequeno
Sozinho, um produtor rural tem pouco poder para negociar insumos, armazenar a safra ou exportar. Unido em cooperativa, ganha escala. As cooperativas respondem por 53% dos grãos produzidos no país e por 10,3% das exportações do agronegócio, com US$ 17,4 bilhões em 2025. Também oferecem aos cooperados 10,7 mil profissionais de assistência técnica.
4. Permite que profissionais sejam donos do próprio negócio
Na saúde, médicos e dentistas se organizam em cooperativas para oferecer seus serviços de forma coletiva. O ramo responde por 37,2% dos beneficiários de planos médicos do país e é o segundo maior empregador do cooperativismo, com 162,3 mil vagas. O Sistema Unimed aparece como a maior cooperativa do mundo na categoria de educação, saúde e trabalho social.
5. É um modelo pensado para o longo prazo
Como não existe para remunerar acionistas, a cooperativa tende a priorizar a continuidade do negócio e a relação com a comunidade. Um estudo publicado em 2026 na revista Annals of Public and Cooperative Economics analisou 684 operadoras de planos de saúde entre 2014 e 2023 e encontrou maior resiliência financeira nas cooperativas. Em 2025, 1.091 cooperativas realizaram ações sociais nos 27 estados.
E em Minas Gerais, como está o cooperativismo?
Minas Gerais é um dos estados onde o cooperativismo mais pesa na economia. Em 2025, as 788 cooperativas mineiras movimentaram R$ 184 bilhões, o equivalente a 15,9% do PIB estadual, segundo o Anuário do Cooperativismo Mineiro 2026, do Sistema Ocemg.
- Crescimento acelerado: a movimentação subiu 16,6% em um ano, quase 12 vezes o crescimento real da economia mineira, de 1,4%. Desde 2021, a alta acumulada é de 97%.
- Base ampla: são 4,23 milhões de cooperados, 13% a mais que no ano anterior.
- Emprego qualificado: mais de 64 mil empregos diretos, com salário médio de R$ 4.059,97, 36% acima da média do setor privado no estado.
- Presença no dia a dia: 63,6% do café mineiro passou por cooperativas em 2025, e cerca de 3,9 milhões de mineiros têm plano de saúde de cooperativa.

O que esse crescimento exige das cooperativas?
Exige gestão profissional. Em 2025, o número de cooperados cresceu 12,5%, mas o de cooperativas avançou só 0,4%. Na média, cada cooperativa brasileira já tem cerca de 6,6 mil cooperados. Organizações maiores precisam de mais governança, tecnologia, planejamento financeiro e comunicação com o quadro social.
O problema é que o mercado ainda forma poucos profissionais para isso. Especialistas ouvidos pela MundoCoop apontam que as cooperativas têm particularidades jurídicas, contábeis, de governança e de gestão. Mesmo assim, o tema aparece pouco nos cursos de Administração, Economia, Direito e Contabilidade.
Na prática, quem quer crescer no setor precisa entender temas que não aparecem na gestão empresarial comum, como:
- destinação de sobras e fundos obrigatórios;
- relação entre assembleia, conselhos e diretoria executiva;
- equilíbrio entre resultado econômico e serviço ao cooperado;
- intercooperação e estratégias de crescimento.
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