O avanço da oncologia tem transformado o cuidado ao paciente com câncer. Novas terapias, diagnósticos mais precoces e a evolução dos tratamentos têm aumentado a sobrevida e proporcionado melhor qualidade de vida a milhares de pessoas.
À medida que o cuidado oncológico evolui e se torna mais complexo, o manejo das emergências oncológicas também ganha relevância na prática clínica. Uma pesquisa brasileira do ScienceDirect analisou dados do SUS (Sistema Único de Saúde) entre 2008 e 2024, e identificou um crescimento médio anual de 3,49% nas internações de urgência relacionadas ao câncer.
Essas emergências, que podem decorrer tanto da evolução da doença quanto das complicações relacionadas ao tratamento, exigem reconhecimento rápido, diagnóstico preciso e tomada de decisão imediata. Quando não identificadas precocemente, podem comprometer o prognóstico do paciente, atrasar o tratamento oncológico e aumentar significativamente o risco de morbimortalidade.
Emergências oncológicas: um desafio crescente para a prática clínica
A dimensão desse desafio já pode ser observada na realidade brasileira. Outro estudo nacional publicado na revista Cancer Epidemiology examinou o histórico do Sistema Único de Saúde (SUS) também entre 2008 e 2024 e identificou 4.909.925 internações por emergências oncológicas, além de 783.669 óbitos hospitalares relacionados a essas condições.
Os pesquisadores também observaram crescimento contínuo tanto nas internações quanto nas mortes ao longo dos anos, evidenciando que essas intercorrências vêm se tornando cada vez mais frequentes na rotina assistencial.
Mais do que acompanhar o aumento da incidência do câncer, esses dados refletem uma mudança importante no perfil dos pacientes atendidos em serviços de urgência, emergência e terapia intensiva, reforçando a necessidade de equipes preparadas para reconhecer e conduzir essas situações críticas.
O que são emergências oncológicas?
As emergências oncológicas são complicações agudas e potencialmente fatais decorrentes do câncer ou do seu tratamento, que exigem reconhecimento, diagnóstico e intervenção imediatos para reduzir o risco de complicações graves e óbito.
Elas podem surgir em diferentes momentos da jornada do paciente oncológico e envolver alterações metabólicas, infecciosas, hematológicas, neurológicas, respiratórias ou cardiovasculares. Muitas vezes, os sintomas iniciais são inespecíficos, o que torna o raciocínio clínico e a avaliação sistematizada ainda mais essenciais
Com o envelhecimento da população, o aumento da incidência do câncer e a maior complexidade dos tratamentos oncológicos, essas situações deixaram de ser eventos restritos aos grandes centros especializados e passaram a fazer parte da rotina de diferentes serviços de saúde.
Por que o reconhecimento precoce é tão importante?
Nas emergências oncológicas, o tempo é um fator decisivo. Pequenos atrasos na identificação dos sinais clínicos podem resultar em pior evolução, interrupção do tratamento do câncer e aumento da mortalidade.
Segundo o cirurgião oncológico Dr. Gustavo Guerra Jacob, esse é um dos principais desafios enfrentados atualmente pelos profissionais de saúde.
“As emergências oncológicas deixaram de ser situações raras ou restritas a centros especializados. Com o aumento da incidência do câncer e a maior sobrevida dos pacientes, é cada vez mais comum que serviços de urgência e UTIs recebam pacientes em tratamento oncológico, muitas vezes com complicações complexas e tempo-dependentes.
O grande desafio é que sinais iniciais podem ser sutis, mas a demora no reconhecimento pode comprometer desfechos, atrasar o tratamento oncológico e aumentar riscos evitáveis.
Por isso, a capacitação das equipes deve ir além do conhecimento teórico: é preciso treinar raciocínio clínico estruturado, comunicação com a equipe oncológica e tomada de decisão em cenários críticos. Esse é justamente o papel do Acute Oncology Life Support (AOLS): transformar situações complexas em condutas mais seguras, coordenadas e assertivas para o paciente.”
A literatura científica reforça essa percepção. O estudo já mencionado do ScienceDirect demonstra que o aumento das emergências oncológicas não pode ser explicado apenas pelo envelhecimento populacional. Os autores apontam que fatores como a maior complexidade dos tratamentos, o aumento da sobrevida dos pacientes e mudanças na assistência oncológica também contribuem para esse cenário, tornando indispensável o fortalecimento da capacidade de resposta dos serviços de urgência.
Quais são as principais emergências oncológicas?
Embora existam diferentes apresentações clínicas, algumas emergências exigem atenção imediata devido ao alto risco de complicações.
Neutropenia febril
Caracterizada pela redução importante dos neutrófilos associada à febre, representa uma das complicações mais graves relacionadas à quimioterapia e exige início rápido da antibioticoterapia.
Síndrome de lise tumoral
Resulta da destruição rápida de células tumorais, provocando alterações metabólicas que podem evoluir para insuficiência renal, arritmias cardíacas e outras complicações potencialmente fatais.
Compressão medular
Pode manifestar-se com dor intensa, perda de força, alterações sensitivas e comprometimento da marcha. O diagnóstico precoce reduz o risco de sequelas neurológicas permanentes.
Hipercalcemia maligna
Complicação frequente em tumores avançados, pode provocar alterações neurológicas, desidratação, insuficiência renal e distúrbios cardiovasculares.
Síndrome da veia cava superior
Caracteriza-se pela obstrução parcial ou total da veia cava superior, levando a edema facial, dispneia e comprometimento respiratório, exigindo avaliação e tratamento imediatos.
O cenário brasileiro reforça a necessidade de preparo das equipes
Ainda segundo o ScienceDirect, além do crescimento expressivo das internações, foi identificada uma taxa média de mortalidade hospitalar de 15,96%, demonstrando que as emergências oncológicas continuam associadas a elevada gravidade clínica.
Também foram observadas importantes desigualdades regionais e sociodemográficas, com aumento mais acentuado das internações e dos óbitos em estados das regiões Norte e Nordeste e entre pessoas com 60 anos ou mais.
Os autores destacam que esse cenário reforça a necessidade de fortalecer protocolos assistenciais, ampliar a capacidade dos serviços de saúde e investir na qualificação dos profissionais que atuam no atendimento ao paciente oncológico em situações críticas.
Não é suficiente apenas conhecer conceitos teóricos, é preciso desenvolver habilidades para reconhecer rapidamente sinais de gravidade, estabelecer prioridades e conduzir o atendimento de forma integrada com a equipe multiprofissional.

Capacitação faz diferença no cuidado ao paciente
A complexidade crescente das emergências oncológicas exige atualização constante dos profissionais de saúde. Médicos, enfermeiros e demais integrantes da equipe assistencial precisam estar preparados para tomar decisões rápidas, baseadas em evidências e alinhadas às melhores práticas clínicas.
Nesse contexto, treinamentos estruturados contribuem para fortalecer o raciocínio clínico, padronizar condutas e aumentar a segurança no atendimento ao paciente oncológico crítico.
O Acute Oncology Life Support (AOLS) foi desenvolvido justamente para esse propósito. Com abordagem prática, baseada em casos clínicos e simulações, o curso prepara profissionais para reconhecer, priorizar e conduzir as principais emergências oncológicas, favorecendo uma assistência mais segura, coordenada e eficiente.
Esteja preparado para atuar quando cada minuto faz diferença
As emergências oncológicas fazem parte da realidade dos serviços de urgência e emergência e tendem a ser cada vez mais frequentes diante do crescimento da incidência do câncer e da maior sobrevida dos pacientes.
Reconhecer precocemente essas condições, adotar condutas baseadas em evidências e atuar de forma integrada são competências fundamentais para reduzir complicações e melhorar os desfechos clínicos.
Se você deseja aprimorar sua atuação no atendimento ao paciente oncológico crítico, conheça o curso Acute Oncology Life Support (AOLS) da Faculdade Unimed e desenvolva as competências necessárias para tomar decisões mais seguras em situações de alta complexidade.