O setor de compliance e integridade vive um momento de maturidade no Brasil.
Muitas vezes, a palavra “denúncia” assusta gestores e lideranças. Apesar disso, em 2025, as empresas brasileiras atingiram um marco histórico: o maior volume de denúncias internas já registrado.
Segundo a Pesquisa Nacional de Canais de Denúncias, elaborada pela empresa de tecnologia Be.Aliant, a média chegou a 9,8 relatos mensais para cada mil profissionais, quase o triplo do registrado há uma década.
Mas o que esse aumento nos canais de ética realmente significa?
Da cultura do silêncio à cultura da confiança
Para as organizações, não se trata necessariamente de um aumento nos desvios, mas de uma mudança profunda na cultura corporativa.
Os números refletem um ambiente onde práticas abusivas não são mais aceitas passivamente. Um ponto que chama a atenção é o protagonismo feminino: as mulheres foram autoras de 53,6% das denúncias corporativas no último ano.
Esse movimento é um sinal claro de que os colaboradores estão confiando mais nos mecanismos de integridade e enxergando setores corporativos como ambientes mais seguros para reportar práticas que, antigamente, eram silenciadas ou naturalizadas no cotidiano das empresas.
É essa confiança que permite que o problema seja reportado e resolvido “dentro de casa”, antes de se tornar um prejuízo externo.
O canal de ética como escudo da reputação
É aqui que a confiança do colaborador se transforma em proteção para a empresa. Quando o profissional confia no canal, a organização tem a chance de agir antes que o caso se torne público.
Hoje, o mercado entende que casos de má conduta que ganham a mídia geram uma comoção social que afeta diretamente o valor da marca. Portanto, um canal de denúncias que funciona não é um “gerador de problemas”, mas o principal escudo contra crises reputacionais irreversíveis.
Para que esse “escudo” funcione, porém, a gestão não pode ser amadora, como pontua a Dra. Tacianny Torchia, mestre em Direito Privado e Coordenadora do MBA em Compliance e Integridade da Faculdade Unimed, e reforça que o sucesso da área não se mede pela quantidade de registros, mas pela seriedade técnica.
“O papel central do gestor é garantir que o relato seja tratado exclusivamente por pessoas capacitadas. Garantir a não-retaliação exige técnica, processos auditáveis e a responsabilidade de quem compreende que a proteção do denunciante é a base do programa”, afirma a especialista.
A importância da capacitação dos profissionais
Além da necessidade interna de proteger a reputação, existe uma pressão externa crescente.
A Administração Pública já exige programas robustos para contratos e licitações – e, inclusive incentiva programas de integridade -, enquanto as Agências Reguladoras sinalizam um endurecimento nas normas de governança e compliance, elevando o padrão de exigibilidade para quem deseja operar em mercados regulados.
Se capacitar continuamente para lidar com esses desafios é uma necessidade crescente para os profissionais da área. “Estar preparado não é mais uma opção, é a ordem do dia para quem busca crescer com maturidade e segurança jurídica”, reforça a doutora e coordenadora.
Nesse contexto, a especialização tornou-se indispensável. Escândalos corporativos demonstram que programas de integridade não podem ser tratados como meros protocolos formais; sua implementação exige responsabilidade técnica e disseminação de uma cultura para todos os colaboradores.
E, para isso, é essencial que os responsáveis por conduzir essas mudanças estejam preparados e capacitados a fim de desempenhar o seu papel com excelência.
Liderando a Transformação
O mercado do cenário atual não perdoa a falta de ética ou o improviso na governança.
Para o profissional que deseja liderar essa transformação, entender os números da pesquisa é apenas o primeiro passo. O verdadeiro diferencial está em saber transformar esses dados em segurança jurídica e ambientes de trabalho saudáveis.
É com esse foco que a Faculdade Unimed estruturou o seu MBA em Compliance e Integridade.
O curso prepara gestores e outros profissionais para transitar por temas sensíveis e estratégicos, fornecendo as ferramentas necessárias para construir culturas organizacionais sólidas que protejam o ativo mais valioso de qualquer instituição: sua integridade.