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Saúde Mental: a principal causa de afastamento de colaboradores e o alerta do Janeiro Branco

Atualmente, os transtornos mentais e comportamentais representam uma das principais causas de afastamento de colaboradores no Brasil.

Segundo análise feita pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), a partir de dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o volume de benefícios concedidos por incapacidade temporária devido a questões psicológicas tem crescido de forma alarmante.

Nesse cenário, a Campanha Janeiro Branco, instituída pela Lei Federal 14.556/23, consolida-se como um movimento essencial para colocar a saúde mental no centro das atenções.

Mais do que um marco no calendário, a lei reforça a necessidade de estratégias contínuas para o bem-estar emocional, especialmente em setores de alta pressão.

Neste blog post, você encontrará:

  • sinais de alerta que não podem ser negligenciados
  • fatores que tornam o ambiente de trabalho um gatilho para o adoecimento
  • estratégias práticas para transformar a cultura organizacional em um espaço de segurança e acolhimento.

Continue a leitura e descubra como proteger o maior ativo de qualquer instituição: as pessoas.

Identificando os sinais: como reconhecer o sofrimento psíquico antes que ele se agrave

O esgotamento raramente acontece do dia para a noite. Ele dá sinais sutis que muitas vezes negligenciamos na correria do dia a dia. Como sinais iniciais de estresse, podemos destacar:

  • Cansaço persistente: ir dormir e já acordar cansado.
  • Perda de interesse: falta de energia para o trabalho e para o que antes dava prazer.
  • Dificuldades cognitivas: queixas sobre memória, atenção e concentração.
  • Alterações de humor: impaciência, irritabilidade e desânimo constante.

Muitas vezes, o colaborador apresenta queixas físicas difusas, sem uma causa biológica clara. Se esses sintomas não forem tratados, podem evoluir para quadros graves, como depressão, ansiedade e a Síndrome de Burnout.

O peso do ambiente e da personalidade: por que a depressão tem crescido tanto no trabalho?

A depressão é um dos grandes males do trabalhador moderno, mas o que causa esse cenário? Devemos olhar para dois pilares fundamentais:

Aspectos da personalidade e habilidades de enfrentamento contam muito. O perfeccionismo, a ambição excessiva, a incapacidade de delegar e o hábito de sacrificar as próprias necessidades para servir aos outros são gatilhos frequentes.

Além disso, quando o trabalho substitui a vida social e o indivíduo não consegue dizer “não”, o risco de adoecimento mental aumenta drasticamente.

O ambiente possui riscos psicossociais que impactam diretamente a mente. Podemos considerar falhas na organização, como:

  • Comunicação deficiente: instruções conflitantes e falta de feedback.
  • Baixa autonomia: pouca liberdade para decidir e participar.
  • Pouco ou nenhum apoio social: distanciamento das chefias e conflitos entre colegas.
  • Alta demanda: responsabilidade crescente e pressão constante de tempo.

É fundamental que as empresas não foquem apenas no indivíduo — o que acaba culpabilizando o trabalhador —, mas tenham um olhar crítico sobre como a própria organização do trabalho pode estar adoecendo suas equipes.

Do diagnóstico à prática: estratégias para prevenir o esgotamento emocional

Agora você já sabe como identificar os sintomas de um adoecimento mental e como as organizações e as características do indivíduo podem contribuir para esse quadro.

Mas o que pode — e deve — ser feito para preveni-lo?

A legislação brasileira está mudando. Em 2025, a reformulação da Norma Regulamentadora nº 01 (NR-01) passará a exigir que as empresas declarem os riscos psicossociais do ambiente.

Para criar um ambiente saudável, as organizações precisam de um diagnóstico real da percepção de seus colaboradores. Com essa visão clara em mãos, é possível implementar:

  • Treinamento para lideranças: para identificação e acolhimento do sofrimento.
  • Palestras educativas: envolvendo colaboradores e times de Saúde e Segurança.
  • Oficinas de cuidado: focadas nos riscos específicos encontrados no ambiente.
  • Apoio clínico: oferta de programas de saúde mental e atendimento especializado.

Liderança empática e segurança psicológica: o papel da gestão no cuidado com as equipes

Nesse processo de prevenção e promoção da saúde mental, a liderança ocupa um papel central. Líderes bem preparados são uma das ferramentas mais eficazes para reduzir os riscos psicossociais no trabalho, especialmente quando adotam uma gestão empática e comprometida com a segurança psicológica.

Na prática, isso significa criar ambientes onde conflitos possam ser discutidos de forma aberta e respeitosa, e onde erros sejam compreendidos como oportunidades de aprendizado, e não como motivos para punições ou críticas destrutivas.

Em um ambiente verdadeiramente acolhedor, a liderança também tem a liberdade de mostrar sua vulnerabilidade. Ao admitir que também enfrenta pressões e desafios, o líder humaniza a relação e fortalece a equipe, provando que o cuidado deve ser mútuo.

Saúde mental como responsabilidade compartilhada

O cenário atual, então, nos mostra que não podemos mais tratar a saúde mental apenas como uma questão individual. É preciso entender que o bem-estar deve estar no centro das discussões corporativas e institucionais durante todo o ano — não só em janeiro.

Isso exige, antes de tudo, um olhar crítico para a cultura de desempenho que orienta muitas relações de trabalho. A Diretora da Psicologia da Gattaz Health, Dra. Miryam Mazieiro, chama a atenção para a maneira como somos influenciados por essa lógica:

Nossa cultura atual impõe uma busca por um desempenho maximizado o qual nem foi nossa escolha. Porém, nossas emoções, comportamentos, ideologias são guiados por esta cultura. Ao tomarmos conhecimento de que estamos ‘contaminados’ ou ‘determinados’ por esta ideologia, podemos fazer diferente.”

Quando as organizações investem conscientemente em ambientes de trabalho empáticos e psicologicamente seguros, os benefícios vão além da prevenção do adoecimento. Elas fortalecem a instituição como um todo, estimulam a inovação, melhoram as relações interpessoais e preservam carreiras que poderiam ser interrompidas pelo esgotamento.

Colaboração de: Dra. Miryam Mazieiro, Diretora de Psicologia da Gattaz Health.

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