Na busca do genoma desconhecido

Publicada 14/06/2019

Princípio zero do cooperativismo. “O homem está aqui para o bem dos homens”.

Albert Einstein

 

Marcelo Leite, renomado cientista brasileiro, buscou obter sequência do seu próprio genoma e foi informado, entre vários achados significativos, carregar em si o DNA europeu, africano, ameríndio e neandertal - 16 anos após a publicação da primeira sequência completa do genoma humano, em abril de 2003, e 65 anos após Watson e Crick (abril de 1953) terem desnudado a estrutura do DNA humano.

A partir de células da bochecha, colhidas com singelos cotonetes, foram analisadas 3.095.693.981 letras ou bases, nas quais em somente 2% (isto é comum em todos nós) havia genes a decifrar. Me abstenho de divulgar os achados, que poderão ou não se exteriorizar.

No campo farmacogenômico, relevantes indicativos sobre medicamentos e suas repercussões não desejadas se fizeram também presentes neste processo, verdadeiro indicador preventivo.

Saímos do paradigma monogênico (uma mutação, uma doença) para o poligênico (uma doença, várias mutações) e tudo indica que caminhamos rumo a um modelo mais complexo, em que todas as partes do genoma exercem alguma influência na manifestação de várias características, conforme Jonathan Pritchard, da Stanford University, elaborou na teoria onigênica. E aí, a lâmpada acendeu!

É a odisseia elucidadora e simplificadora do genoma que, a mercê dos avanços progressivos da biotecnologia, conduzirá, em futuro próximo, ao barateamento e extensão massiva, o que transformará radical e extraordinariamente o exercício da ciência médica cotidiana.

Em abstração oportuna, creio que devemos transpor a agenda de discussões para o chamado e dito Sistema Unimed, nesses tempos tormentosos que atravessamos em um país bipolar, confuso, imberbe culturalmente e imprevisível, em que nos coube viver.

Por analogia, temos também um DNA próprio, após mais de 50 anos de existência e vida em comum. Temos um universo constitucional humano heterogêneo, com pensamentos, posturas, propostas e exercícios práticos de doutrina e filosofia cooperativista diversos, que não resultam efetivamente em ações progressistas sobre nossos potenciais. Temos mazelas pendentes (gens deletérios) e seus estragos e consequências (disfunções cognitivas) em nosso labutar diuturno.

Por outro lado, somos aguerridos, bem formados, diferenciados intelectualmente, bastante experientes, inovadores e criativos pontual e circunstancialmente, e sobretudo umbilicais em excesso - talvez por sequelas da nossa formação profissional.

Imprescindível e já extemporâneo abrir uma grande discussão interna do cooperativismo Unimed, motivando suas lideranças em apontar novos caminhos. Um choque de atualização com os tempos vigentes, após identificação precisa de todos os genes que compões o nosso genoma.

Vamos mudar e até suprimir os que já não nos servem (métodos, práticas, entre outros); vamos atualizar os que ainda nos sustentam (tradição, força da marca, qualificação do corpo médico, viés cooperativista, dentre outros); vamos criar alternativas estruturais, organizacionais e estratégicas para caminharmos juntos ao futuro, que no presente não nos parece identificado com clareza, unicidade e linearidade necessárias e sobreviventes; vamos repensar o cooperativismo Unimed e vislumbrar um futuro ordenado, organizado, estratégico, tecnológico e compatível com a realidade, para, enfim, fazermos jus ao prenome de Sistema e o deixarmos aos que virão como compromisso de fé e obrigação funcional inconteste.

Este é o caminho sem retorno e seu desfecho é inadiável.

Assim acreditamos.

Eudes Aquino

Presidente da Fundação Unimed




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