Medicina humanizada: uma prática necessária para a área da saúde

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Publicada 28/11/2018

Quando uma pessoa procura ajuda médica, além do problema de saúde, o seu emocional também pode estar abalado. Medo, insegurança, dúvidas que precisam de respostas claras, tudo isso completa o quadro do paciente, que espera encontrar um profissional que dê atenção ao seu caso. Um atendimento realizado com as práticas da Medicina humanizada seria, então, o melhor caminho para promover uma assistência resolutiva.

Neste post, vamos falar sobre a importância de humanizar os atendimentos médicos. Também vamos abordar o conceito de slow medicine e, por fim, mencionar algumas ações que podem ser implementadas no dia a dia da prática médica. Continue a leitura!

Qual é a importância da Medicina humanizada?
Um sorriso, uma palavra de apoio, uma postura empática e gentil são pequenas ações que podem fazer toda diferença no atendimento médico e em como o paciente se sente em relação à sua própria condição de saúde.

O conceito de Medicina humanizada, conforme o termo já indica, está associado à um contato mais humano entre o profissional e o atendido, com consultas mais tranquilas, sem tanta pressa, com olho no olho, paciência, respeito e escuta ativa. Isso envolve uma conduta de cumplicidade!

O propósito da Medicina humanizada é tratar o ser humano considerando a sua totalidade. É enxergar além de uma patologia e do diagnóstico imediato e compreender que existe uma pessoa ali, com sentimentos, inseguranças e expectativas.

O que existe, no cenário atual, é uma dinâmica acelerada que passa rapidamente da averiguação dos sintomas para a prescrição de medicamentos, sem uma investigação mais detalhada do quadro.

Ocorre que boa parte dos casos poderia ser remediada com uma conversa sobre simples mudanças nos hábitos. A capacidade de diálogo se configura, então, como um dos elementos fundamentais para a humanização da relação médico x paciente.

Apesar de ser um conceito reverenciado, assumir essa postura, na prática, é um grande desafio para os profissionais da Medicina. O dia a dia na área da saúde, sobretudo na esfera pública, já é sobrecarregado de obstáculos, a começar pela demanda excessiva de trabalho. Diante da dificuldade de prestar atenção aos problemas individuais de cada paciente, o envolvimento do profissional pode parecer raso e até desumano.

Para elucidar melhor esse tema, vamos a dois exemplos comuns do que poderia ser considerado um tratamento desumano na Medicina:

  • insensibilidade para transmitir um diagnóstico — especialmente em casos mais graves, em que o correto seria transmitir a notícia com mais cautela, tranquilizar o paciente e ajudá-lo a compreender a situação para, assim, enfrentá-la;
  • violência obstétrica — a hora do parto já é carregada de ansiedade, além de envolver vários procedimentos invasivos e desconfortáveis. A apatia e a hostilidade dos profissionais podem tornar traumático um momento que foi tão sonhado pela parturiente.

Outra questão envolvida é o preparo dos médicos, que aprendem, desde as práticas do estágio, a controlar suas próprias emoções diante do sofrimento dos pacientes. De certo modo, essa conduta que parece transmitir frieza, permite que o profissional realize seu trabalho com mais objetividade.

No entanto, seria necessário tomar cuidado com o excesso de impassibilidade e lembrar que à sua frente está um ser humano, muitas vezes já fragilizado, precisando de amparo e calmaria. Aqui, entramos no conceito de "calma na saúde". Entenda, a seguir, o que isso significa!

O que é slow medicine?
O cardiologista italiano Alberto Dolara foi quem trouxe à tona a necessidade de repensar o formato dos atendimentos médicos. Em uma sociedade apressada e tomada pelo estresse, Dolara iniciou um movimento que prega calma e desaceleração, o que ele chamou de slow medicine, ou Medicina sem pressa.

Em sua publicação sobre o tema, o médico italiano argumentou que o encaminhamento exagerado para exames e tratamentos tende a causar uma ansiedade desnecessária no paciente. Nesse sentido, um procedimento mais tranquilo consistiria em priorizar a avaliação clínica e apostar mais nos métodos preventivos do que na intervenção farmacológica.

Contudo, para realizar essas modificações no atendimento médico, também é necessário reeducar o paciente e ajudá-lo a assumir uma nova perspectiva, pois as pessoas já estão habituadas a saírem de uma consulta com receitas de medicamentos e guias para exames.

Além da ênfase no diálogo e na análise clínica, a slow medicine é sustentada por outros pilares, como: consultas mais lentas; compartilhamento de decisões; atenção às necessidades individuais de cada paciente; foco na promoção e manutenção da saúde e não apenas no tratamento de enfermidades.

O ponto central dessa filosofia é a atenção dedicada a cada pessoa, sempre levando em conta suas individualidades. Essa conduta permite que o paciente compreenda melhor suas condições e se torne responsável pelos cuidados com sua saúde.

Como aplicar a Medicina humanizada na prática?
Na teoria, a humanização do atendimento médico é uma iniciativa transformadora, que pode trazer muitos benefícios ao paciente. Para o profissional, os efeitos também são positivos e incluem a possibilidade de desenvolver um bom trabalho, o reconhecimento e a fidelização dos pacientes. Mas, e na prática, como implementar a Medicina humanizada?

Vá além do atendimento médico
Para que o paciente se sinta realmente bem atendido, todo o processo deve ser pensado, preparado e executado com cuidado, objetivando conforto e confiança. A assistência deve ser realizada de forma global, desde a marcação da consulta até o final do atendimento propriamente dito. Isso significa que a humanização da relação entre os profissionais e seus pacientes deve se estender a toda equipe de trabalho.

Utilize uma linguagem clara e inteligível
Muitas pessoas saem dos consultórios e dos hospitais cheias de dúvidas porque tiveram dificuldade para entender os termos utilizados pelos profissionais da saúde. Quando a linguagem é demasiadamente técnica, o paciente pode se sentir ainda mais distante de seu médico. O mais adequado, para humanizar o atendimento e facilitar a compreensão, seria explicar o quadro clínico de forma clara e objetiva, com palavras simples e inteligíveis.

Mantenha-se mais acessível para o paciente
O médico também é um ser humano e merece descanso, isso é incontestável. Porém, há quadros delicados, que envolvem condições mais graves e necessitam de uma disposição maior do profissional para fornecer assistência ao paciente no momento em que ele precisar. Nesses casos, o ideal é disponibilizar um canal de comunicação e manter-se acessível em situações de emergência e, com essa postura, transmitir mais segurança e cumplicidade.

Para concluir, não podemos deixar de ressaltar a importância de cuidar das pessoas que trabalham em prol da saúde. A Medicina humanizada somente pode ser transformada em realidade se os médicos, enfermeiros e demais profissionais receberem atenção e suporte adequados para realizar um bom trabalho e cumprir essa missão tão nobre que é cuidar de outras vidas.

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