Médicos e mídias sociais: boas práticas para as redes

Publicada 03/09/2021

Com o avanço das redes sociais e o crescimento dos influencers, é natural que profissionais de diversas profissões decidam usar aplicativos como Instagram, Facebook, Twitter e TikTok para conquistar novos clientes.

No entanto, quando se trata da medicina, existem limites legais e éticos que o profissional deve seguir nas suas postagens, afinal, como diz o Código de Ética, a medicina não pode ser exercida como um comércio e por isso a divulgação de conteúdo médico não pode ser igual a de outros tipos de serviços.

Diante disso, o Conselho Federal de Medicina estabeleceu uma série de regras sobre o uso de redes sociais e o médico que não seguir essas orientações pode sofrer punições e inclusive ter o seu CRM suspenso, como já ocorreu nos últimos anos.

Neste post você verá o que diz o Conselho Federal de Medicina (CFM) sobre o tema, o que não pode ser feito e como usar as redes para potencializar o seu trabalho.

 

Médicos e redes sociais: o que diz a lei

A Resolução CFM nº 1974/2011, com algumas alterações pontuais (como a Resolução no 2.126/15), estabelece os critérios norteadores da propaganda em Medicina e, por isso, deve ser usada como base para o uso de redes sociais, pois mesmo que você não esteja divulgando um produto ou tratamento específico, o uso de uma página profissional no Instagram, por exemplo, é considerado publicidade pessoal.

Nestas resoluções, o CFM classifica como mídias sociais “sites, blogs, Facebook, Twiter, Instagram, YouTube, WhatsApp e similares”, ou seja, mesmo não sendo citado, o aplicativo TikTok, por exemplo, se encaixa nesta definição, bem como outras redes.

Agora vamos ver que atitudes são vedadas pelo CFM.

 

O que o médico não pode fazer nas redes sociais

O CFM ressalta diversas vezes a concorrência desleal, a autopromoção, divulgação de informação não comprovada pela ciência e exposição do paciente como incompatíveis à ética médica.

Na prática, isto significa que é vedado ao médico:

  • Divulgar terapias “exclusivas” e usar termos como “melhor”, “o mais capacitado”, “o mais eficiente” e similares para se referir aos próprios serviços e tratamentos ofertados. Isso induz a uma concorrência desleal e fere o princípio do respeito, solidariedade e consideração com os colegas de profissão. Pelo mesmo motivo, também é proibido sugerir que um serviço ou o médico é o único capaz de proporcionar o tratamento para o problema de saúde;
  • Usar termos como “resultado garantido” ou “100% de eficácia” para qualquer tipo de tratamento. Por mais seguro que seja, sabemos que cada paciente tem um histórico de saúde diferente e nem todos colhem os mesmos resultados, induzir o paciente a acreditar que o procedimento é totalmente eficaz pode ser considerado propaganda enganosa e, caso ocorra algum imprevisto, a postagem pode ser usada pelo paciente como prova contra o médico;
     
  • Fotos de “Antes x Depois”. Este tipo de conteúdo incorre em concorrência desleal e é considerado exposição do paciente, mesmo com seu consentimento expresso. Imagens de pacientes e/ou partes de corpos só podem ser utilizadas para fins educativos e nunca de forma de sensacionalista, abusiva ou assustadora.

O médico também não deve incentivar os seus pacientes a postarem fotos elogiando os resultados em suas redes pessoais, pois “a publicação por pacientes ou terceiros, de modo reiterado e/ou sistemático, de imagens mostrando o “antes e depois” ou de elogios a técnicas e resultados   de procedimentos nas mídias sociais deve ser investigada pelos Conselhos Regionais de Medicina”, conforme art. 13, §4º.

  • Selfies que caracterizem sensacionalismo, autopromoção ou concorrência desleal. Isso mesmo, as famosas selfies também são proibidas em alguns casos, como selfies durantes procedimentos cirúrgicos, atendimento em consultório, realização de tratamentos, plantões e todo tipo de situação que traga a ideia de que o médico é “melhor” do que outros profissionais ou que contenham imagens de pacientes. Áudios, vídeos e imagens no geral com esse tipo de conotação também são vetados.
     
  • Divulgar preços, descontos, promoções e formas de pagamento para consultas ou procedimentos. Essa atitude fere o princípio de que a medicina não pode ser tratada como comércio e caracteriza, também, concorrência desleal.
     
  • Sugerir, direta ou indiretamente, que ao realizar uma consulta ou tratamento, o paciente terá melhoria de desempenho físico, intelectual, emocional, sexual ou estético.
     
  • Apresentar qualquer tipo de gráfico, tabela ou ilustração de forma parcial. Eles devem sempre aparecer na sua forma completa e contextualizados, para evitar interpretações erradas por parte dos pacientes.

Da mesma maneira, divulgar qualquer tipo de terapia, medicamento ou tratamento que não seja comprovado cientificamente e aprovado no Brasil é proibido. Ao passar informações sobre estudos e pesquisas, o médico deve sempre usar como base estudos clínicos veiculados em publicações científicas, preferencialmente com níveis de evidência I ou II.

Em caso de dúvidas, não deixe de conferir a legislação, o Manual de Publicidade Médica ou consultar o Conselho da sua região. No entanto, tendo em mente os cuidados com a imagem dos pacientes, Fake News, concorrência desleal e autopromoção, você tem tudo para ter uma presença online de acordo com as boas práticas da ética médica.

Agora que você já sabe o que não fazer, vamos ver o que pode ser feito.

 

Como usar as redes sociais ao seu favor

O uso das redes sociais pode ser um grande aliado quando feito corretamente. Ter uma presença online é uma forma de conquistar novos pacientes, afinal, eles também estão na internet e irão usá-la na hora de escolher com quem se consultar.

Caso você seja especialista em algum procedimento em particular, como nutrição vegana, transição hormonal para pessoas transsexuais, acompanhamento de idosos com Alzheimer ou qualquer outro tipo de público, divulgar isto em suas redes sociais é uma ótima maneira de conquistar pacientes que estão em busca de um tratamento especializado para uma questão mais específica.

Você pode fazer isso divulgando estudos sobre o tema, tirando dúvidas simples dos seus seguidores e esclarecendo mitos comuns sobre o tema. Desta forma, você mostra que é especialista no assunto e está atualizado sobre o tema.

E com a grande quantidade de pessoas falando sobre saúde na internet, separar o joio do trigo é fundamental e aí que os médicos se destacam nas redes: são uma fonte confiável de informação e esclarecimentos de dúvidas pontuais. Porém, fique atento a isso também: fazer qualquer tipo de consulta ou recomendação médica genérica por rede social, também é proibido.

Por fim, não se esqueça de que as redes são uma ferramenta de marketing e por isso precisam ser usadas de forma estratégica para que você apareça nas ferramentas de busca e recomendações dos aplicativos.

Procure manter seu perfil sempre atualizado, com postagens regulares e interessantes para o seu público, mas sem perder a variedade. Se você apenas responder dúvidas ou publicar artigos científicos, o seu público pode cansar-se rapidamente e deixar de consumir o seu conteúdo, por isso mescle de tudo um pouco: perguntas e respostas; novidades e pesquisas; memes (com bom-senso); fotos; vídeos e o que mais a sua criatividade permitir.

Também é importante colocar o número do seu CRM e RQE, caso você tenha, além de serem itens obrigatórios, isso mostra para as pessoas que você realmente é um profissional formado e certificado.

Por fim, interaja. Responda aos comentários e mensagens que receber, isso estreita a sua relação com o seu público e tende torná-lo mais engajado nas suas publicações.

Respeitando os limites da ética médica, as regras do CFM e investindo em uma boa estratégia de marketing, as redes sociais têm tudo para serem grandes aliadas do seu crescimento profissional.

Se você gostou deste conteúdo, compartilhe em suas redes sociais para que mais pessoas aprendam a usar as redes corretamente.




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