Qual a relação entre experiência do paciente e valor em saúde?

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Publicada semana passada

Com as mudanças pelas quais a população vem passando nas últimas décadas, como maior expectativa de vida, diminuição das taxas de mortalidade infantil e aumento no número de doenças crônicas, os serviços de saúde precisam se adaptar para atender os pacientes da melhor maneira e gerir seus recursos de forma mais eficiente.

A gestão baseada em valor é uma medida importante para redução de custos e melhoria na experiência do paciente, o que representa um ganho tanto para os hospitais e clínicas, quanto para a população.

Neste artigo iremos mostrar como a gestão baseada em valor pode trazer benefícios para a administração dos sistemas de saúde e impactar diretamente na experiência do paciente. Para saber mais, continue lendo!

 

O que é valor em saúde?

Medir a qualidade assistencial usando o valor como medida significa colocar o desfecho clínico como foco. Isto é, o que será avaliado é o resultado das intervenções médicas (incluindo consultas, exames, acompanhamento, medidas de prevenção etc.) na saúde do paciente ao final do tratamento.

Dessa forma, a remuneração dos profissionais de saúde é baseada nos resultados obtidos, levando o foco para a qualidade da assistência à saúde, ao contrário do modelo mais comum no país atualmente, o fee for service, que se baseia em reembolsar os prestadores com base apenas no número de procedimentos realizados.

Para remunerar os profissionais neste modelo, é preciso desenvolver novas metas e indicadores: “Para começar, o principal é desenvolver um processo de protocolização dos cuidados. Esses protocolos vão identificar quais são os dados relacionados àqueles desfechos e os custos. A partir desses dados, teremos condições para tomar decisões sobre a remuneração por performance”, explicou Marcelo Nita, professor e médico especialista em Gestão de Cuidados de Saúde Baseada em Valor, em entrevista para a Faculdade Unimed. 

 

Como medir o valor em saúde?

Conforme Renato Couto e Tânia Grillo, em editorial publicado na Revista Científica Faculdade Unimed: “[O] valor em saúde é determinado pela qualidade assistencial dividida pelo  custo,  alinhado  a  uma  experiência  positiva  do  paciente  em  sua  trajetória  no  sistema  de saúde. O inverso de valor, portanto, é desperdício”.

Medidas como oferecer tratamentos menos eficientes, mas que são mais baratos, como formar de conter custos, são vistas com desperdício na saúde baseada em valor, pois se trata de uma falsa economia: um tratamento mais caro, porém mais eficaz, evita futuras internações e melhora a qualidade de vida do paciente, cortando custos no longo prazo e aprimorando a qualidade da assistência prestada.

Ainda de acordo com o estudo de Renato Couto e Tânia Grillo, mudar da estratégia fee for service para uma gestão baseada em valor poderia representar uma economia equivalente a 37,7% de todas as diárias hospitalares utilizadas para tratar os pacientes pesquisados.

Como vimos, a gestão baseada em valor tem o foco no paciente e a sua experiência é parte do cálculo de valor. Abaixo, vamos mostrar o que experiencia do paciente significa e a sua relação com a gestão baseada em valor.

 

O que é experiência do paciente?

Este termo se refere a soma de todas as interações do paciente e a influência delas na sua percepção da qualidade do serviço de saúde prestado.

Em outras palavras, a experiência do paciente procura medir todo o percurso desde o momento em que ele procura o hospital ou clínica até a alta, incluindo questões como facilidade para marcar consultas e realizar procedimentos; o atendimento na recepção; a comunicação com médicos e enfermeiros, entre outras.

A experiência do paciente é diferente da satisfação do cliente, pois a satisfação está ligada às expectativas prévias do paciente ao procurar o serviço de saúde, por isso ela acaba sendo subjetiva, visto que pessoas que receberam exatamente o mesmo tratamento, mas tinham expectativas diferentes, terão níveis de satisfação diferentes.

Já a experiência se refere ao que de fato aconteceu, como aconteceu e quantas vezes. Em algum momento o paciente sentiu que a comunicação não foi clara? Ele teve dificuldades em receber o resultado de exames? Houve algum problema com a operadora de plano de saúde? Todas essas questões podem ser avaliadas de maneira objetiva quando se trata de experiencia do paciente.

 

Como medir a experiência do paciente?

Os hospitais dos Estados Unidos usam como ferramenta de medida da experiência do paciente um questionário chamado HCAHPS (Hospital Consumer Assessment of Healthcare Providers and Systems), que em tradução livre significa “Avaliação do Consumidor Hospitalar de Provedores e Sistemas de Saúde”.

No Brasil não há uma pesquisa padronizada com este fim, de forma que cada estabelecimento de saúde pode desenvolver um modelo próprio de avaliação, de acordo com seus objetivos e necessidades.

Ao desenvolver pesquisas, é preciso ter mente o que se desejar medir e desenvolver perguntas claras, objetivas e simples. Por mais que o serviço prestado seja de excelência, depois de um tratamento que muitas vezes pode ser longo ou doloroso, o paciente não estará em condições de responder pesquisas muito longas ou que exijam respostas muito elaboradas.

 

Como a experiência do paciente impacta na gestão baseada em valor?

O valor em saúde é baseado no desfecho do caso clínico, o que pode ser tanto a cura da doença, quanto um tratamento paliativo, a depender da condição do paciente, como ele estava quando procurou atendimento pela primeira vez e o que era possível fazer no seu caso específico.

Isto significa que não existe uma medida que sirva para todos os pacientes, na verdade, cada situação deve ser analisada individualmente. Desta forma, a experiência do paciente é parte da entrega de valor em saúde, já que ela engloba toda a sua jornada dentro do sistema de saúde, incluindo seu desfecho clínico, e considera a individualidade de cada situação.

Saber o que o paciente deseja, como atendê-lo da melhor maneira, disponibilizar os tratamentos mais eficazes e manter uma linha de comunicação aberta são maneiras de tornar a experiência mais rica e aprimorar a entrega de valor.

Ao focar no valor e na experiência, o objetivo será sempre oferecer a melhor opção de tratamento disponível para o paciente, evitar exames desnecessários e tratamentos inadequados que geram sucessivas internações, culminando numa redução de custos no longo prazo.

Ao mesmo tempo, isto aumenta a percepção de qualidade do serviço prestado por parte do paciente, que se sentirá ouvido e cuidado de maneira integral, não só pelo médico, mas por toda a equipe, desde a marcação da consulta até a saída do hospital.

Para fazer a transição para a gestão baseada em valor, é preciso que o gestor conheça bem os conceitos teóricos e a realidade do hospital que está gerindo, de forma a conseguir aplicar a teoria na prática. Uma boa opção é são cursos de curta duração voltados para a gestão baseada em valor.

Para saber mais sobre valor em saúde e outros temas das áreas de gestão e cooperativismo, não deixe de acompanhar o nosso blog!


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