Evolução do cooperativismo: da criação à Indústria 4.0

Publicada 08/01/2020

Nos últimos anos, as inovações tecnológicas trouxeram diversos benefícios para os serviços de saúde. São os reflexos da Indústria 4.0, movimento que tem influenciado as organizações de todos os setores. E esse movimento também gera impacto para o cooperativismo, que tem buscado evoluir seu modelo de gestão para acompanhar as demandas dessa transformação digital. 

Pensando nisso, este artigo apresenta a história do cooperativismo no Brasil e no mundo, descreve sua evolução desde 1844 até o momento atual e indica suas principais transformações ao longo dos anos. Acompanhe!

Entenda o conceito de cooperativismo


O cooperativismo é um modelo econômico e social entre pessoas, que se baseia na participação dos associados nas atividades econômicas do negócio, com objetivo de atingir o bem comum, gerando trabalho e renda. Esse movimento possui 7 princípios cooperativos, que foram criados pela “Sociedade dos Probos de Rochdale”, a primeira organização dessa natureza no mundo. São eles: 

  1. adesão voluntária e livre;
  2. gestão democrática pelos membros;
  3. participação econômica dos membros;
  4. autonomia e independência;
  5. educação, formação e informação;
  6. intercooperação;
  7. interesse pela comunidade.


As organizações que utilizam o cooperativismo como seu modelo de negócio são chamadas de cooperativas. Elas também se embasam em valores de apoio mútuo, responsabilidade, democracia, equidade e solidariedade. 
 

Tipos de cooperativismo


O cooperativismo pode ser aplicado nas mais variadas áreas de negócios. A Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), por meio de um estudo recente, está aglutinando os 13 ramos de atuação das organizações em 7, conforme a seguir:


1º RAMO - Produção de Bens e Serviços: nova nomenclatura do ramo Trabalho que engloba os antigos ramos Produção, Mineral, parte do Turismo e Lazer e Especial.

2º RAMO - Infraestrutura: Geração e compartilhamento de energia elétrica e, incorpora ramo Habitacional.

3º RAMO - Consumo: cooperativas que realizam compra em comum tanto de produtos quanto de serviços para seus cooperados (supermercados, farmácias) e Ramos Educacional, formadas por pais para contratação de serviços educacionais e, também, de consumo de serviços turísticos classificadas anteriormente dentro do ramo Turismo e Lazer.

4º RAMO - Transporte: este ramo preserva sua nomenclatura, passa a trazer expressamente a condição do cooperado de proprietário ou possuidor do veículo, Além disso, as cooperativas que se dediquem a transporte turístico, transfers, bugres, cujos cooperados sejam proprietários ou possuidores dos veículos e que eventualmente estejam enquadrados no ramo Turismo e Lazer.

5º RAMO - Saúde: engloba as cooperativas de usuários que se reúnem para constituir um plano de saúde.

6º RAMO - Agropecuário: que ajudam produtores rurais a comercializar suas produções. Não sofreu alteração.

7º RAMO - Crédito: organização de administração de finanças, com mais vantagens do que um banco comum. Não sofreu alteração.
 

A gestão no cooperativismo


Um dos princípios básicos do cooperativismo é a gestão democrática entre os membros. Todos os associados são envolvidos diretamente ou indiretamente na formulação de políticas e tomada de decisões. Em organizações com muitos membros, eles podem eleger representantes em eleições, nas quais todos têm direitos iguais - “one member, one vote”.

Uma cooperativa nasce, geralmente, da união de profissionais autônomos. A ideia desses empreendedores é a diminuição de custos, com a realização de compras conjuntas e melhores condições de pagamento, uma vez que um dos princípios do cooperativismo é a participação econômica.

Entre os pequenos negócios, as cooperativas apresentam boas oportunidades de crescimento e manutenção. Isso é possível porque o trabalho conjunto permite a essas empresas acessarem de maneira muito mais fácil inovações tecnológicas e serviços financeiros, como empréstimos e linhas de crédito.

Além disso, a história mostra que a união de força entre empreendedores deu origem a grandes cooperativas no país, como é o caso da própria Unimed. Isso acontece porque o cooperativismo é um modelo socioeconômico alternativo muito eficaz que não para de crescer desde sua criação em meados do século XIX — como mostraremos no tópico a seguir.
 

A evolução do cooperativismo


As cooperativas foram criadas em meados de 1844, na Inglaterra. O movimento começou quando alguns tecelões se rebelaram por conta da exploração que sofriam e decidiram fundar um novo modelo de negócio. Já no Brasil, a primeira organização foi fundada em 1889, em Ouro Preto (Minas Gerais), chamada de Cooperativa Econômica dos Funcionários Públicos de Ouro Preto.

O cooperativismo evoluiu muito desde a sua criação até o atual contexto da Indústria 4.0. O movimento conquistou diversos direitos até se tornar um modelo de negócio lucrativo como é reconhecido hoje. A seguir explicaremos um pouco da sua história no Brasil.
 

Anos 60 — Criação da Organização das Cooperativas Brasileiras

Na década de 60, essas organizações alcançaram um novo patamar ao criar, em 1969, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). Essa instituição sem fins lucrativos e com neutralidade política e religiosa foi fundada para representar e defender os interesses das empresas. 
 

Anos 70 — Lei das Cooperativas

Em 1971, o movimento cooperativista conquistou mais uma vitória com a criação da Lei nº 5.764, que disciplinou a fundação dessas organizações no país. Entretanto, a norma também trouxe algumas limitações, como a interferência no funcionamento e fiscalização das instituições. 
 

Anos 80 — Constituição Federal 

A situação anterior só foi resolvida anos mais tarde, com a Constituição Federal de 1988, que restringiu a interferência do Estado e deu às cooperativas o poder de autogestão. Outro grande marco foi a filiação da OCB na Aliança Cooperativa Internacional, que permitiu que o cooperativismo brasileiro participasse da definição das diretrizes do movimento no mundo. 
 

Anos 90 — Reconhecimento

Apesar da sua importância econômica, o movimento cooperativista brasileiro só passou a ser reconhecido internacionalmente a partir de 1995, quando o paulista Roberto Rodrigues foi eleito presidente da Aliança Cooperativa Internacional. 

O novo presidente lutou pelo reconhecimento das cooperativas e, em 1998, foi criado o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop). Essa instituição foi um marco e tinha como objetivo promover a cultura colaborativa e aperfeiçoar a gestão dessas organizações. 
 

Anos 2000 — A Quarta Revolução Industrial

A transformação digital impulsionada pela Quarta Revolução Industrial favoreceu o desenvolvimento do cooperativismo, principalmente na área da saúde. Novas tecnologias, como a impressão 3D, a robótica e a Inteligência Artificial automatizaram e otimizaram o trabalho dessas instituições, elevando-as a um novo nível de eficiência.
 

O cooperativismo e a Indústria 4.0


A Indústria 4.0 compreende um conjunto de tecnologias que permite a convergência entre tecnologias e o meio físico. Sua premissa é exatamente a cooperação, conforme aponta José da Paz Cury, palestrante e consultor nas áreas de Desenvolvimento Humano e Cooperativismo da Faculdade Unimed: “Se não for por meio da cooperação, a Quarta Revolução Industrial não se dará na sua plenitude”.

Segundo o especialista, muitas dessas inovações ainda estão no início, mas o seu desenvolvimento já está chegando em um ponto de inflexão, “pois elas constroem e amplificam umas as outras, fundindo tecnologias do mundo físico, digital e biológico”, explica.

Outro benefício é que, por meio da robótica, Inteligência Artificial e computação quântica, impressora 3D, “já é possível realizar procedimentos cirúrgicos a distância. Por exemplo, o médico pode estar lá nos Estados Unidos, e a mesa de operação e o paciente, em Belo Horizonte, mas a cirurgia é feita por um robô”, destaca Cury.

Dessa forma, a Quarta Revolução Industrial impacta diretamente na saúde, uma vez que permite que homens e máquinas trabalhem juntos de forma integrada. Além disso, a transformação digital trouxe benefícios, como: melhores cuidados da saúde, desenvolvimento de novos tratamentos, monitoramento de pacientes e diagnósticos mais precisos. 

Para se ter uma ideia “a IBM desenvolveu uma nova tecnologia, chamada de Watson, que é capaz de detectar câncer nas radiografias que o olho do ser humano não consegue ver”, destaca o consultor. 

Além disso, outras inovações, como a impressão 3D, também trouxeram vantagens. “Um exemplo é quando você vai ao dentista para fazer uma prótese. Com a impressão 3D, esse processo fica muito mais rápido e eficiente. O dentista coloca uma câmera intraoral na sua boca, tirar uma foto e imprime a prótese”, acrescenta Cury.

O avanço das tecnologias médicas contribui para a evolução do cooperativismo. A previsão é que, em 2019, o setor tenha um crescimento entre 5% e 7% no consumo dessas ferramentas, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde (Abimed).

Como pode ser observado, existe um vasto campo de tecnologia aplicada à saúde que impacta diretamente na evolução do cooperativismo. A Indústria 4.0 favorece uma visão mais abrangente da própria ideia de cooperação, compreendendo que o trabalho conjunto de homens, máquinas e sistemas tem o poder de revolucionar o desenvolvimento de diversas áreas. 


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